{"id":11929,"date":"2014-03-27T00:00:00","date_gmt":"2006-11-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/?p=11929"},"modified":"2006-11-06T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-06T00:00:00","slug":"Eliane_Brum11929","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/Eliane_Brum11929\/","title":{"rendered":"Eliane Brum"},"content":{"rendered":"<p>Pregunta.- Eliane, quando voc\u00ea escreveu sobre os rolezinhos emergentes ao final de dezembro \u00faltimo, algumas pessoas da sociedade civil organizaram um evento na internet que propunha um rolezinho na porta da sua casa como forma de retalia\u00e7\u00e3o \u00e0 coluna. Isso mostra como alguns setores da popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o prontos para defender o preconceito e a exclus\u00e3o a qualquer custo. O que voc\u00ea pensa sobre essa acentua\u00e7\u00e3o de tais setores nessa \u00e9poca em que a discuss\u00e3o sobre Direitos Humanos \u00e9 gritante e o Brasil parece dividir-se em dois, ou seja, a popula\u00e7\u00e3o oprimida e a que a defende e a popula\u00e7\u00e3o com ares de fascista? Sobre o tal evento organizado na porta de sua casa, voc\u00ea teve receio de algo? Voc\u00ea teme por alguma forma de viol\u00eancia que possam te fazer por voc\u00ea desbravar assuntos que antes n\u00e3o eram tocados? Grato!<\/p>\n<p>Respuesta.- Oi Orfeu. Respondendo mais especificamente a sua \u00faltima pergunta\u2026 J\u00e1 sofri algumas amea\u00e7as verdadeiramente graves ao longo de 26 anos de reportagem. Mas sei que sou bem mais protegida do que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o, porque sou de classe m\u00e9dia e sou branca. Em geral, nas den\u00fancias que fiz, as pessoas cujas hist\u00f3rias eu contei \u00e9 que corriam riscos cotidianamente nas suas vidas. O que para mim era exce\u00e7\u00e3o, para elas era o dia a dia. Tento nunca perder de vista esse fato. Escrever, contar essas hist\u00f3rias, manter o debate no campo das ideias \u00e9 um ato de resist\u00eancia, \u00e9 o pacto que fiz ao me tornar jornalista.<\/p>\n<p>P.- Eliane, como voc\u00ea avalia o governo da primeira mulher eleita presidente do Brasil? Podemos nos orgulhar deste fato?<\/p>\n<p>R.- Quando a Dilma venceu a elei\u00e7\u00e3o, escrevi questionando se fazia diferen\u00e7a uma mulher se tornar presidente da Rep\u00fablica, para al\u00e9m do fato comemorativo \u00f3bvio. Me perguntava se havia um jeito feminino de governar e tamb\u00e9m sobre a imagem do que \u00e9 ser uma mulher que foi usada na campanha, especialmente a express\u00e3o marqueteira de &#8220;m\u00e3e do PAC&#8221;, a mulher ligada \u00e0 maternidade e a todos os clich\u00eas de g\u00eanero. Sobre a avalia\u00e7\u00e3o do governo, eu precisaria de v\u00e1rias colunas para responder. Mas, ficando em apenas uma quest\u00e3o, acho lament\u00e1vel que esse governo tenha levado adiante a vis\u00e3o da ditadura sobre a Amaz\u00f4nia e sobre os povos da floresta. \u00c9 o mesmo olhar, da Amaz\u00f4nia como um corpo para a explora\u00e7\u00e3o, territ\u00f3rio para fazer grandes obras e acomodar grandes interesses. \u00c9 um governo que n\u00e3o escuta os povos da floresta, como ind\u00edgenas, ribeirinhos e quilombolas, que s\u00e3o vistos como &#8220;entraves ao desenvolvimento&#8221;, uma vis\u00e3o de uma mediocridade assombrosa. Que neste momento hist\u00f3rico esse olhar sobre a Amaz\u00f4nia se mantenha \u00e9 uma perda que tem e ter\u00e1 graves consequ\u00eancias para o Brasi.<\/p>\n<p>P.- Qual sua maior motiva\u00e7\u00e3o\/ inspira\u00e7\u00e3o para ir em uma via contr\u00e1ria a que a imprensa costuma seguir, e dar voz a hist\u00f3rias aparentemente comuns, mas que carregam tanta for\u00e7a? Quando o Nordeste ter\u00e1 o prazer de receber sua presen\u00e7a para um bate-papo? <\/p>\n<p>R.- Como colunista, escrevo para desacomodar o leitor, para desloc\u00e1-lo do lugar a que est\u00e1 acostumado, de forma que possa enxergar uma determinada quest\u00e3o de outros \u00e2ngulos poss\u00edveis. N\u00e3o escrevo para apaziguar, mas para perturbar. Se consigo ou n\u00e3o, s\u00f3 os leitores podem dizer. Para fazer isso, preciso antes desacomodar a mim mesma. \u00c9 o que tento fazer cotidianamente. Como rep\u00f3rter, percebi, logo no in\u00edcio da minha vida de jornalista, que algumas vidas (e mortes) &#8220;aconteciam&#8221; e outras &#8220;desaconteciam&#8221; ao n\u00e3o virar narrativa. Fiz a minha escolha, de contar os que estavam \u00e0s margens, de v\u00e1rias maneiras, e tamb\u00e9m \u00e0 margem da narrativa. Quanto \u00e0 visita ao Nordeste, eu apare\u00e7o por l\u00e1 sempre que poss\u00edvel \ud83d\ude42<\/p>\n<p>P.- Eliane, voc\u00ea que nos oferece tantas hist\u00f3rias de dor, crueldade e segrega\u00e7\u00e3o, onde se refugia em busca de um pouco de felicidade pessoal?<\/p>\n<p>R.- Oi Juan! Tento buscar delicadeza, mesmo nas horas brutas dos meus textos. Quando saio deles e mesmo desse excesso de realidade cotidiana, eu preciso ler. Literatura. Eu leio todo dia. Se n\u00e3o leio, n\u00e3o consigo levar a vida adiante. Ler \u00e9, desde crian\u00e7a, a minha forma de sair um pouco do mundo, mesmo do mundo que sou eu. E, mais recentemente, me tornei uma viciada em seriados de TV. Ando obcecada por eles, que tamb\u00e9m se tornaram minha maneira de sair de mim. Nem vou come\u00e7ar a falar aqui sobre seriados, que quando come\u00e7o n\u00e3o consigo parar \ud83d\ude42<\/p>\n<p>P.- Eliane, J\u00e1 teve algum texto seu que foi publicado,que voc\u00ea se arrependeu de ter escrito?<\/p>\n<p>R.- Oi, Fernanda. Tenho certeza que sim, mas agora, de imediato, n\u00e3o consigo lembrar de nenhum texto espec\u00edfico. O que me acontece com mais frequ\u00eancia \u00e9 achar que poderia ter escrito de outra maneira, \u00e0s vezes as melhores frases aparecem na minha cabe\u00e7a no meio da noite, quando o texto j\u00e1 foi publicado. Parece um boicote do c\u00e9rebro, fico brigando comigo mesma. Tamb\u00e9m me arrependo de partes de reportagens que fiz, como aquela em que conto no Olho da Rua, sobre a casa de velhos, na qual escutei hist\u00f3rias que n\u00e3o deveria ter publicado porque constrangeu as pessoas no dia seguinte. A gente vai aprendendo a n\u00e3o cometer os erros antigos, mas sempre comete alguns novos. Tento me questionar muito, o tempo todo, para tentar minimizar a possibilidade de erros e arrependimentos, mas acontece. E sofro muito quando acontece. Nas reportagens criei um limite pessoal. Antes de sair de casa, me pergunto: Se aparecesse um rep\u00f3rter na minha porta, eu abriria? Se um rep\u00f3rter me fizesse essa pergunta, eu responderia? Se minha resposta for n\u00e3o para ambos os questionamentos, n\u00e3o fa\u00e7o a reportagem. Acho que n\u00e3o posso pedir ao outro o que n\u00e3o posso dar.<\/p>\n<p>P.- Os temas que voc\u00ea trata falam muito do que est\u00e1 na imprensa. Como \u00e9 o seu processo criativo? Voc\u00ea l\u00ea muito antes de eleger um tema? Ou simplesmente quando acorda come\u00e7a a escrever algo que est\u00e1 na sua cabe\u00e7a? N\u00e3o fica aborrecida com as cr\u00edticas?<\/p>\n<p>R.- Eu s\u00f3 escrevo sobre algum tema se tenho algo a dizer que ainda n\u00e3o foi dito ou n\u00e3o foi dito da maneira que eu posso dizer. Quando s\u00e3o acontecimentos, procuro s\u00f3 escrever sobre eles quando acho que tem algum canto escuro a ser iluminado. As colunas me d\u00e3o muito trabalho, porque a ideia \u00e9 s\u00f3 um ponto de partida para a investiga\u00e7\u00e3o. Jamais acordo e tiro algo da minha cabe\u00e7a. \u00c9 um longo percurso, que pode levar de dias a semanas. Tenho muito respeito pelo tempo do leitor &#8211; que, como j\u00e1 disse o professor Antonio Candido, &#8220;n\u00e3o \u00e9 dinheiro, mas o tecido das nossas vidas&#8221;. Preciso merecer a leitura. Quanto \u00e0s cr\u00edticas, acho importante quando a pessoa critica com ideias, com consist\u00eancia. Na internet os textos se tornam textos-debates. Eu come\u00e7o a escrever, mas os leitores continuam, em diferentes espa\u00e7os. Aprendo com muitos leitores que realmente querem debater, discordar com densidade, com desejo de colaborar e discutir. Quando \u00e9 s\u00f3 agress\u00e3o, viol\u00eancia, a\u00ed acho triste, mas tento escutar o que essa viol\u00eancia est\u00e1 dizendo daquela pessoa. Neste caso, o coment\u00e1rio diz mais da pessoa que o faz do que de mim ou do meu texto.<\/p>\n<p>P.- Bom dia Eliane! Nos bate-papos entre amigos, nas universidades e nos espa\u00e7os de discuss\u00f5es da internet, voc\u00ea e seus artigos est\u00e3o sempre presentes. Voc\u00ea tem no\u00e7\u00e3o da possibilidade de transforma\u00e7\u00e3o que causa nas pessoas? \u00c9 essa uma inten\u00e7\u00e3o? Um forte abra\u00e7o!<\/p>\n<p>R.- Oi Francimare! No caso da coluna, escrevo na expectativa de que a minha voz, o que tenho a dizer, ecoe nas pessoas, dialogue com elas. Acredito profundamente na narrativa como instrumento de transforma\u00e7\u00e3o da vida &#8211; e especialmente das realidades injustas. Escrever \u00e9 minha express\u00e3o no mundo &#8211; e eu acredito em mudar o mundo. Mesmo que seja bem pouquinho.<\/p>\n<p>P.- Oi Eliane! Eu gostaria de saber duas coisas sobre o seu trabalho. Voc\u00ea trabalha com algum m\u00e9todo espec\u00edfico? Como se organiza antes de escrever uma mat\u00e9ria? E considera seu perfeccionismo no trabalho, e imagino que tamb\u00e9m na vida, um defeito ou uma qualidade?<\/p>\n<p>R.- Oi M.M! Falando especificamente da reportagem, acredito (e sempre repito isso) que h\u00e1 um movimento sem o qual n\u00e3o conseguimos fazer uma reportagem. Antes de atravessar a rua, concreta, porque reportagem se faz na rua, precisamos atravessar a rua de n\u00f3s mesmos. Isso significa um movimento bem dif\u00edcil, que a gente vai aprimorando ao longo da vida, cada um do seu modo. Consiste em se esvaziar de si &#8211; dos seus preconceitos, de sua vis\u00e3o de mundo etc &#8211; para ir em dire\u00e7\u00e3o ao mundo que \u00e9 o outro o mais vazio poss\u00edvel, para ent\u00e3o ser preenchido por essa outra maneira de se relacionar com a vida. E depois empreender o caminho de volta, o que tamb\u00e9m \u00e9 bastante complicado. Fazer reportagem, na minha experi\u00eancia, \u00e9 se desabitar por um momento para se deixar habitar pelo outro. Sempre que volto, levo um tempo para me adaptar \u00e0 minha vida, porque \u00e9 uma entrega profunda, e eu j\u00e1 n\u00e3o sou a mesma. Quanto ao &#8220;perfeccionismo&#8221;, eu sou bem obsessiva. Posso errar- e \u00e0s vezes erro -, mas preciso ter a certeza de que fiz tudo o que era poss\u00edvel para n\u00e3o errar e para fazer o melhor que eu podia fazer. Mas, claro, isso tem um custo. E tem um custo alto. Para mim \u00e9 a \u00fanica maneira. Quando n\u00e3o der mais conta, eu paro.<\/p>\n<p>P.- Eliane, al\u00e9m de ter feito document\u00e1rios, pensa em algum dia fazer um filme de algum livro seu, como Uma duas, ou de alguma cr\u00f4nica se estender al\u00e9m da escrita e virar um document\u00e1rio?<\/p>\n<p>R.- Oi, Eduardo! Fa\u00e7o document\u00e1rios como uma outra experi\u00eancia de escrita, a de escrever com imagens. Mas sou foca em document\u00e1rios. N\u00e3o penso em fazer um filme do Uma Duas, n\u00e3o, acho que n\u00e3o saberia fazer, \u00e9 importante um outro olhar. Mas, claro, eu sonho que um dia o Uma Duas vire um filme ou uma pe\u00e7a de teatro. \u00c9 claro que sou a pessoa mais suspeita a dizer isso, d\u00e1 at\u00e9 um pouco (bastante) de vergonha\u2026 Mas acho um romance t\u00e3o teatral e cinematogr\u00e1fico. Enfim, sonhos s\u00e3o sonhos, por enquanto n\u00e3o aconteceu. Agora o Uma Duas t\u00e1 sendo traduzido para o ingl\u00eas, vai ser publicado pela Amazon. Quem sabe..<\/p>\n<p>P.- Eliane, como voc\u00ea se descobriu jornalista? Em que momento voc\u00ea teve certeza de que era isso que voc\u00ea queria fazer? Sempre teve esse desejo dentro de si? Ainda acredita que esse \u00e9 o seu papel nesse mundo ou ainda (mesmo que raramente) tem suas d\u00favidas quanto a isso?<\/p>\n<p>R.- Oi Karina! Eu n\u00e3o tinha a menor convic\u00e7\u00e3o de que queria ser jornalista, tinha uma auto-estima baix\u00edssima e achava que n\u00e3o servia pra nada, muito menos pra falar com gente, at\u00e9 o fim da faculdade. \u00c9 uma longa hist\u00f3ria. Descobri que era o que eu queria ser quando fui fazer uma mat\u00e9ria sobre prostitutas, no \u00faltimo semestre de jornalismo. Conheci na noite uma prostituta e marcamos de conversar na tarde do dia seguinte. Quando bati no apartamento, atendeu uma mulher nua. N\u00e3o era aquela com quem eu tinha combinado, mas outra. Expliquei que queria entrevist\u00e1-la e ela, talvez pela surpresa, abriu a porta. Quando entrei, era uma quitinete onde havia apenas uma cama. Nesta cama estava o cafet\u00e3o, tamb\u00e9m nu. Por um momento, n\u00e3o sabia o que fazer nem onde sentar. Mas foi s\u00f3 um segundo. Sentei, ent\u00e3o, no cantinho da cama, e comecei a entrevist\u00e1-los. Eles nus, bem aprumados na cama, por causa da solenidade do momento, e eu (vestida). Quando sa\u00ed de l\u00e1, estava euf\u00f3rica. Tinha descoberto que, com um bloquinho e uma caneta, podia entrar em qualquer lugar, escutar qualquer pessoa. Foi assim que me tornei rep\u00f3rter e descobri que ser rep\u00f3rter \u00e9 a melhor profiss\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>P.- Eliane quais s\u00e3o os escritores que te inspiram?<\/p>\n<p>R.- Oi Jamille! Bah, s\u00e3o muitos. E sempre que esque\u00e7o um, me sinto uma traidora. Depois de tantas horas incr\u00edveis, tra\u00ed aquele homem ou aquela mulher\u2026 Comecei a fazer uma lista, aqui, mas fui ficando aflita. Vou demorar cinco horas, porque isso \u00e9 muito s\u00e9rio pra mim. O que acho mais importante dizer \u00e9 que, no meu caso, fui t\u00e3o influenciada pelos escritores que li quanto pelas pessoas que eu escutei durante esses anos todos de reportagem. O povo brasileiro tem uma linguagem de uma diversidade impressionante quando a gente se move pelo mapa, com uns achados extraordin\u00e1rios. Por isso \u00e9 t\u00e3o triste quando se pasteuriza tudo, na TV, por exemplo, como se existisse uma l\u00edngua s\u00f3. Muitas vezes estive diante de analfabetos que faziam literatura pela boca. Vivi escutas de chorar de lindas\u2026 Esse povo todo me habita com suas vozes que falam de um jeito de estar no mundo que s\u00f3 eles expressam.<\/p>\n<p>P.- Ol\u00e1 Eliane, em primeiro lugar te admiro muito, voc\u00ea \u00e9 uma pessoa que tem um potencial muito grande (estou morrendo de medo de escrever para voc\u00ea, pode ter v\u00e1rios erros ortogr\u00e1ficos, mas o importante \u00e9 que estou falando com Eliane Brum) Ent\u00e3o, como \u00e9 que consegue escrever tantas e grandes ideias como voc\u00ea escreve?? Como pensa?? De onde vem estes grandes pensamentos?? Voc\u00ea se inspira em algo?? Obrigada!!! Voc\u00ea \u00e9 uma grande mulher.<\/p>\n<p>R.- Oi Let\u00edcia! Muito obrigada por dizer tudo isso\u2026 Eu s\u00f3 sou curiosa, curiosa mesmo. Fico contando os anos que supostamente tenho ainda de vida e pensando quanto mundo ainda posso conhecer. Escrever \u00e9 o que d\u00e1 sentido \u00e0 minha vida. N\u00e3o saberia viver sem a palavra escrita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jornalista conversa com os internautas nesta quinta-feira \u00e0s 11h da manh\u00e3 hora de Bras\u00edlia (15h de Madri)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-11929","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11929\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/intervius.com\/index.html\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}